O Terapeuta Ocupacional na Intervenção Precoce

O neurodesenvolvimento diz respeito à evolução do cérebro e às suas capacidades . Inicia-se muito cedo e progride no sentido de maior complexidade e refinamento.
Os cinco primeiros anos de vida são fundamentais (sobretudo os três primeiros) para a organização do cérebro. Neste período as aquisições são feitas a um ritmo alucinante e todos os estímulos são importantes para que a criança atinja o seu potencial.
As coisas que o cérebro consegue fazer incluem a motricidade global (andar, subir e descer escadas, saltar) e a motricidade fina (escrever, recortar), a comunicação e a linguagem (expressão corporal, falar, perceber o que se diz), a cognição (tomada de decisões, resolução de problemas) e as competências socio-emocionais (interação com familiares e outras crianças).
 

Tendo em conta o período entre o nascimento e os 3 anos de idade, a terapia ocupacional é um dos vários serviços que pode ser prestado como parte da intervenção precoce, atuando em crianças com uma patologia, em risco de desenvolvê-la ou sem um diagnóstico claro. O objetivo principal desta intervenção é, portanto, melhorar o desenvolvimento, minimizar o potencial de atraso de desenvolvimento e ajudar as famílias a atender às necessidades dos seus bebês.
 
Desta forma o terapeuta ocupacional atua de forma a:
– Promover o desenvolvimento das competências motoras, cognitivas, de processamento sensorial, de comunicação e de brincar, em conjunto com os restantes profissionais e os cuidadores da criança (pais, educadores, avós, etc.);
– Promover um desempenho ocupacional, no dia-a-dia com o máximo de funcionalidade, autonomia e bem-estar;
– Aumentar as competências dos cuidadores no que se refere à melhor forma de responderem às necessidades da criança;
– Fomentar a interação pais/filho, enriquecendo a prestação de cuidados, o desenvolvimento da criança e o bem-estar da família;
 
A vigilância do neurodesenvolvimento infantil é um processo contínuo que permite a deteção e diagnóstico precoce de desvios ao padrão habitual. Desta forma vários especialistas recomendam o rastreio nas seguintes idades: 9 meses, 18 meses, 24 ou 30 meses.
Cada criança tem o seu ritmo para o seu desenvolvimento, porém os pais devem estar atentos aos sinais de alerta nas diferentes áreas anteriormente referidas e se necessário procurar uma opinião médica.
 
Qualquer dúvida ou preocupação em relação ao seu filho/a, não hesite em falar connosco.

Maria Soares Ferreira
Terapeuta Ocupacional