Birras – o que fazer?

Psicologia

Como profissionais, sabemos que a “tarefa” de ser pai ou mãe pode, por vezes, ser um desafio, especialmente quando as crianças estão a passar por períodos de enormes mudanças que as levam a comportamentos de recuso e birra.

Primeiro de tudo, é importante ter consciência que todas as crianças testam os limites, todas as crianças fazem birras e todas as crianças têm que lidar com a frustração – afinal, nós adultos, em algum momento, também temos comportamentos menos ajustados.

 

A pensar nisto, juntamos algumas dicas que podem ajudar os pais, ou até mesmo educadores, a lidar e prevenir com alguns comportamentos desafiantes destes “pequenos terroristas”.

 

 

Reduzir o número de ordens / pedidos

 

Evite dar demasiadas ordens, isso só irá confundir a criança e aumentar as probabilidades de ela não conseguir fazer o que lhe solicitou. Frases demasiado longas também são desaconselhadas.

 

O que não fazer: “João, levanta-te, arruma os brinquedos na caixa, vai lavar os dentes, vestir o pijama e cama”.

 

Alternativa: “João, vamos arrumar os brinquedos (…) boa, agora é altura de lavar os dentes antes de ir para a cama”.

 

 

Dar ordens realistas

 

Devemos sempre ajustar os pedidos à idade e estádio desenvolvimental da criança, para não promover o fracasso e a frustração excessiva. Pedir a crianças de dois anos que estejam 1h quietas é impossível, e elas não vão conseguir cumprir.

 

 

Fornecer ordens claras e específicas

 

Evite ser vago nas ordens à criança. Ela precisa da sua ajuda para saber exatamente o que está a fazer errado e de como o fazer de forma mais adequada.

 

O que não fazer: “Miguel, olha o que estás a fazer!?”.

 

Alternativa: “Miguel, vi que estavas a entornar o leite, posso ajudar-te?”.

 

 

Não se zangue

 

Demonstre à criança que tem poder e controlo sobre as suas próprias emoções, esse é o primeiro passo para elas também o aprenderem a fazer. Se for necessário, afaste-se um bocado do local até se sentir preparado para gerir a situação de maneira positiva.

 

 

Pedidos na positiva

Tente deixar de utilizar a palavra “NÃO” tantas vezes, assim como questionamentos. Utilize frases na afirmativa. Isso irá motivar a criança a cumprir o seu pedido.

 

O que não fazer: “Francisco, não estás a pensar arrumar os brinquedos?”.

 

Alternativa: “Francisco, vai colocar os brinquedos na caixa”.

 

 

Consequências lógicas

 

Em conjunto com a criança, faça uma lista/quadro de regras que devem ser cumpridas. Comece com poucas regras e vá aumentando gradualmente (ex. primeira semana = 1 regra; segunda semana = 2 regras).

 

Estabeleça consequências para o não cumprimento das regras. Não crie consequências que depois não vá cumprir.

 

A punição deve ser realizada, na melhor das hipóteses, 5 segundos após o comportamento negativo.

 

No entanto, dê tempo à criança para cumprir o pedido. Evite dar a ordem e exigir que ela seja cumprida no segundo seguinte.

 

 

Elogie, elogie e… elogie

 

O reforço positivo é um importante aliado na luta contra os comportamentos de recusa. Se os pais demonstrarem admiração e elogiarem a criança pelos comportamentos positivos, a criança vai começar a realizar esses mesmos comportamentos com mais frequência, experimente!

 

Exemplo: “Rita, gostei muito de te ver arrumar os brinquedos, muito bem!”

 

 

IMPORTANTE:

 

Punições físicas? Nunca!

 

As crianças aprendem muito com os adultos, especialmente com as figuras de referência. Se os adultos resolvem os seus problemas através da agressão ela também o irá fazer. Ensine-lhe diferentes formas de resolver os conflitos.

 

Desta forma, ajudará a desenvolver uma personalidade positiva e um adulto feliz.

 

Estas são algumas dicas que podem ajudar a reduzir as birras ou comportamentos de recusa. Se continua com dificuldades em aplicar estas estratégias, fale connosco. Temos uma equipa de profissionais qualificados que o irão ajudar. Fale connosco!